segunda-feira, janeiro 30, 2012

Proibir a sacolinha não basta



Fato: Desde 25 de janeiro, os paulistanos vão ao supermercado e deixam de encontrar as sacolinhas plásticas para embalar suas compras - gratuitas. Encontram apenas versões pagas.

Ainda não sabemos se o impacto dessa proibição das sacolinhas plásticas será benéfico para o meio ambiente. E as opiniões, assim como as pessoas, estão divididas entre prós e contras.

São Francisco, por exemplo, baniu as sacolinhas desde 2008. Seattle baniu as sacolinhas em dezembro, mas estipulou que a cobrança de sacolas de papel custará 5 centavos. Mas bem antes disso, taxou sacolinhas plásticas a 20 centavos, medida esta que foi rechaçada pela população, impondo-se somo um ônus excessivo para pessoas de baixa renda.

A experiência de São Francisco mostrou que a medida "empurrou" os consumidores para uma opção mais prejudicial ao meio ambiente: o saco de papel, que consome 70% a mais de energia na sua fabricação, cria 50% a mais de dispersão de gases e cinco vezes mais resíduos do que os sacos plásticos. Acresça-se a este dado o fator "duplo ensacamento". (Fonte: American Chemistry Council).

Tem mais: auditoria feita no lixo da cidade de São Francisco, constatou que não houve diminuição significativa no lixo plástico (o que era o propósito da proibição).

Outros argumentos levantados pela American Plastic Manufacturing são:
  • Na Irlanda, a taxação de sacolas plásticas reduziu o seu volume em 90%. Porém, a venda de pacotes de sacos plásticos subiu 400% (todos estes depositados em aterros).
  • Com a proibição das sacolas em São Francisco, foram reduzidos drasticamente os programas de reciclagem de plástico. Isso fez com que, em 1 ano, o lixo plástico realmente aumentasse na cidade.
  • A reciclagem de plástico é barata e corriqueira, produzindo compostos de madeiras e ... novos sacos.
  • Os sacos plásticos representam menos de 1% de todo o lixo. Logo, proibir não basta. Programas de reciclagem e educação ambiental, sim, mudam a mentalidade de quem descarta o lixo.
  • Muitas das sacolas reutilizáveis são produzidas na China, onde o controle ambiental não é lá essas coisas e com o emprego de trabalho escravo e infantil. 


Da minha parte, embora seja favorável à adoção de medidas que resguardem o meio ambiente, confesso que não vejo muita lógica em proibir a sacolinha gratuita e permitir que o supermercado venda uma sacolinha. 

Além disso, temos saquinhos plásticos na seção de frutas, verduras e legumes, no setor de cereais e farináceos, pães, produtos de limpeza... Ops, em todo o mercado!

Será que o mais certo não seria a lei obrigar todos a usarem embalagens plásticas apenas nas versões biodegradáveis e recicláveis? 

Afinal, ao proibir, somos sustentáveis ou babacas?


Comentários

Recomendados para Você