quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Designer de Interiores como Profissão



Observei que as pessoas tem muitas dúvidas em relação à profissão de Designer de Interiores. Sempre me perguntam se esse ou aquele curso é legal e, muitas vezes, se é preciso mesmo fazer algum curso.

Para simplificar, resolvi "bolar" esse post tira-dúvidas. Vamos lá:


Defina o objetivo: ser profissional do mercado ou conhecer mais o tema

Existem muitos cursos no mercado, voltado aos temas de Design de Interiores. 

Os chamados cursos livres são ótimos para quem procura se aprofundar mais sobre o tema, profissional ou não. Possuem uma carga horária que varia de 150 a 400 horas e, por este motivo, são ideais para aquelas pessoas que já tem alguma formação na área e desejam complementar seus conhecimentos ou apenas saber mais sobre o assunto, sem compromisso de atuação na área.

Dificilmente você conseguirá inscrição em órgãos como ABD - Associação Brasileira de Design de Interiores ou CREA - Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, com o certificado dos cursos livres. A exigência desses órgãos é muito específica (vou falar adiante) em termos de carga horária e requisitos da instituição (credenciamento junto ao MEC).

Sobre estes cursos, uma dica é pesquisar a instituição, verificar a sua idoneidade e o gabarito dos profissionais que ministram as aulas. Isso é a certeza da boa qualidade dos ensinamentos ministrados no curso espaço de tempo que duram.


Os cursos técnico, tecnológico e superior de Design de Interiores são aqueles indicados para as pessoas que desejam atuar como Designer de Interiores profissionalmente. 

Nesse caso, é essencial verificar a carga horária dos cursos (em geral, variam de 800 a 1600 horas) e o credenciamento das instituições junto ao MEC (sem o qual, o diploma é inválido). 

Algumas instituições adotam a denominação "pós-graduação" para os cursos de curta duração em Design de Interiores. Esses cursos não formam designers de interiores (pelo menos, não no conceito necessário para a sua profissionalização e registro nos órgãos de classe). 


CREA ou ABD?

Ah, o interessante mundinho dos projetos e obras... Bem, profissional que se preze tem registro junto ao órgão de classe. 

Assim, da mesma forma que não há advogado sem OAB e nem médico sem CRM, é essencial o Designer de Interiores ter registro no CREA ou na ABD (ou nos dois).

Tanto o CREA quanto a ABD são mega exigentes nos requisitos para a inscrição em seus quadros. Apoiado! Isso evita aventureiros no mercado!

Se não me falha a memória (me corrijam se estiver errada), o CREA, por exemplo, exige que o curso tenha autorização do MEC, seja ministrado por instituições oficiais e reconhecidas e tenha, no mínimo, 1200 horas-aula. Para a concessão do registro, é necessário, ainda, o histórico com a informação das disciplinas e cargas horárias. Repetindo: mega exigente! 

A ABD exige a conclusão de curso técnico ou superior em Design de Interiores (ou, no caso de curso superior, Arquitetura com ênfase em Design de Interiores) reconhecidas pelo MEC. 

Ambos os registros são importantes e é bastante comum encontrar Designer de Interiores com os dois. O CREA é excelente para quem trabalha com obras, especialmente, evitando aborrecimentos para o cliente que pode ter a sua fiscalizada e eventualmente autuada por irregularidades. (O CREA fiscaliza obras, viu?)

Na questão da reserva técnica, muitas lojas não cadastram designers de interiores para pagamento dos valores se eles não tiverem pelo menos um dos registros.


Palavra-chave: MEC

Resumidamente, para inscrição no órgão de classe (e ficará cada vez mais difícil atuar profissionalmente sem ela), é fundamental que a instituição e o curso sejam reconhecidos pelo MEC.

Muitas vezes, a instituição não tem autorização para aquele curso (embora seja reconhecida). Então, é bom conferir junto ao MEC se o curso pretendido é regular. 

Morro de pena, às vezes, as pessoas investem muito dinheiro no curso e ele não é reconhecido. 



Minha história: eu cursei Design de Interiores duas vezes (gostei tanto que repeti, rsrs). A primeira em uma instituição ótima, um curso maravilhoso, mas que não completava os requisitos para a obtenção do CREA, voltei para o banco da escola e fiz um outro curso na instituição que me permitia.

Nenhuma das vezes foi tempo perdido (sempre há o que aprender) e os conteúdos tinham muitas diferenças, aproveitei tudo. 

Embora, as pessoas me digam que nada disso era preciso (já que há tantos desenhando no Sketchup e se dizendo designers, rsrs), eu acredito mesmo que um profissional se qualifica pelo estudo, responsabilidade e dedicação,  que estenderá ao seu cliente.

Os cursos são relativamente novos e a profissão também. Por isso, muitos decoradores de antigamente, passaram a se definir como designers de interiores. 

Mas como a exigência do registro tem sido muito difundida no mercado (no Lar Center, por exemplo, você nem se cadastra se não tiver CREA ou ABD),  a necessidade de profissionalização é iminente e não é uma coisa que poderá ser burlada futuramente.

Então, fica a dica para quem está na área: faça um curso! 


Nota: Com o advento do CAU, não sei se o CREA continuará a efetuar registros de Designers de Interiores em nível técnico. 


Para saber mais:



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