sexta-feira, junho 29, 2012

Kintsugi: Para não quebrar o coração





Já disse aqui no blog, milhares de vezes, que meu pai era ceramista e fez peças lindíssimas, que hoje, me ajudam a conviver com a saudade.

Dia desses, a diarista que trabalhava aqui em casa quebrou uma dessas peças por acidente e meu coração ficou partido. A peça em questão, um vaso redondo, tem uma tonalidade entre vermelho e laranja, as mais difíceis de conseguir na cerâmica queimada em alta.

Chorei, recolhi todos os cacos e guardei. Estava determinada a procurar uma cola que pudesse unir todas as partes. Acabei encontrando e não pensei duas vezes.

Mas o acabamento não ficou bonito. A resina ficou muito aparente.

Então lembrei da técnica japonesa do Kintsugi. Quando uma peça se quebra, os japoneses consertam o dano, engrandecendo-o e fazendo o preenchimento com uma mistura de amálgama e ouro. 

Eles acreditam que quando uma peça se quebra e tem história, ela se torna mais bela ainda. Por isso, o restauro sempre acontece.

É claro que a amálgama misturada com pó de ouro era impensável para mim. Por isso, colei com a resina específica para cerâmica e porcelana e fiz o acabamento com dois produtos bem fáceis de encontrar em casas de artesanato.


Passei a textura acrílica em todas as rachaduras e trincas, depois da peça já colada. Escolhi o tom cobre, pois o ouro da tinta dimensional era muito claro. 

Depois, finalizei passando a tinta dimensional, sobre as rachaduras e trincas. Passei pelo lado de dentro e pelo lado de fora, pois a ideia é aparentar que as trincas foram realmente preenchidas com o ouro.




Você pode usar essa técnica para restaurar porcelana, cerâmica e vale a pena testar no vidro. O resultado será único, com a beleza, a filosofia e a sabedoria dos orientais. 








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